Poucas dores da vida

Acho que poucas dores são piores que dor de dente, sei que isto não renderá um texto, mas é como aqueles amores de colégio, a gente nunca acha que vai render. Acordei sentindo uma dor no dente que poucas coisas seriam capazes de descrever, parecia que era lá dentro, mas olhando por fora estava perfeitamente normal, eu quase chorava, mas me segurava, e ainda estou segurando, pois imaginem o quanto parece ridículo alguém chorar por algo tão pequeno, mas todos sabem que dói, afinal, poucas coisas doem mais que dor no dente.
 É como quando na infância no meio de uma brincadeira a gente escorrega e rala o joelho, depois corre pra casa com lágrimas nos olhos, não chora, pois quem choraria por coisas pequenas como esta? Na hora do banho é pior. Incrível que lavar a dor dói mais do que senti-la, incrível, mas quem choraria por uma coisa tão pequena? É comparável com a cólica, aquela impressão de que algo está arrancando um pedaço de dentro de ti, aquela louca vontade de chorar, mas quem choraria por algo que parece tão ridículo, só quem já sentiu sabe que dói. 
Poucas dores doem mais que dor de dente, arrisco-me a dizer que nem o parto doeria mais. É uma dor permanente e graduante, é a dor que vai e volta, mas nunca deixa de doer, todo mundo sabe que dói, e que é insuportável, mas todos julgam tão ridículo que ninguém ousaria admitir que chorou um dia por isto. É a dor que dói mais para curar do que parar permanecer doendo, mas que se deixar doendo piora. Creio então que a única coisa que possa ser comparada á dor de dente é o amor. 
Poucas dores doem mais que a dor de amar, a dor de perder o amor, a dor de se livrar de um amor. 
Na verdade, nem sei mais sobre o que é o texto, se meu dente ainda dói, ou se o coração que está me fazendo chorar agora, poucas dores doem mais que as dores que só a gente sente, que todo mundo sente, mas aparentam serem tão ridículas que ninguém diz que já sentiu, ou que chorou por tal.
Poucas dores doem de verdade, ouvi dizer que é tudo psicológico, mas então, acho que no fundo poucas coisas na vida doem mais do que o psicológico da gente, mas a gente complica tudo que faz ficar ridículo, feito textos sobre dor de dente ou amores de colégio, a gente nunca acha que vai render, mas sempre rende. 

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