Não, querido

Não, querido, eu não te traí.
Cometi várias traições a vida toda, mas você não foi traído por mim, foi traído pela sua arrogância e pela falta de bom senso. Você me traiu quando não me mostrou quem você era e me deixou descobrir sozinha que nunca te amei, amei a projeção tola do que eu procurava: companhia.
E mesmo que estivesse contigo porquê precisava de companhia, depois de uns meses eu estava sozinha. E sozinha eu me vi traída por mim mesma, me traí porquê larguei minhas poesias e músicas favoritas, porquê não consegui terminar um livro se quer enquanto estive sozinha ao seu lado, me traí porquê mudei minhas roupas, deixei de estar com meus amigos, porquê comecei a ouvir as suas músicas e acreditar nas suas verdades que são tão vazias quanto essa sua cabecinha.
Depois um tempo eu não estava somente sozinha, estava dolorida e me deitar com você me machucava mais, porquê eu não estava mais ali, eu estava sentindo saudades de mim, porquê quando deixei você entrar pela porta joguei quem eu era pela janela.
Um belo dia eu resolvi voltar pra mim, você chamou isso de traição e eu de reconciliação com a felicidade. Eu não te traí, eu te abandonei pra fazer as pazes com a paz de estar comigo mais do que com qualquer outra pessoa.
Se ainda assim quiser chamar de traição, chame. Eu chamo de liberdade.

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