Porre de amor

Agora diz para mim, me diz o motivo d'eu não escrever mais no meu diário, diz o motivo do café não fazer tanto efeito quanto antes, me conte o real propósito desta prateleira de livros que não li e os que li estarem jogados pelo quarto, o motivo de todas as comédias românticas e as música de amor. Estou sofrendo por amor, só não sei o nome do meu amor. Quem sabe meu amor não seja eu?
E se eu nem eu sou minha, se nem eu mesma me amo, mesmo amando o que sou, o pôr-do-sol e o amor ás causas perdidas, amando á mim e amando ao mundo que é meu, nego-me amor á mim, pois não presto para amar. Nem sei quem é meu amor. Quem sabe meu amor não seja eu?
Eu digo que não amo nada.
Amo elefantes indianos, amo ler sobre guerras, amo minha psicologia barata, desenhos animados, poster na parede, ursos de pelúcia, cubos de açúcar e a palavra babaca que faz par com bacana. Vestidos vaporosos e tardes deitada na grama.
Leio aqueles poemas que não fazem sentido e acho sentido, pois o sentido das coisas sem sentido é fazer sentir, o sentido das pessoas que criam coisas sem sentido é te levar a sentir que requer sentido e criar um sentimento, o nome disso é sentir e com sentir eu digo poesia. Quem sabe o sentido não seja meu?
Naquele bar ali na esquina eu bebi até o que não poderia, eu vim me arrastando para a casa, eu me encostava na parede e ri por dentro, chorei por fora.
Durante minha ressaca moral, única ressaca que me atormenta, me lembro de cada copo.
Não me arrependo, estou bem, estou sofrendo de amores, só não sei por onde anda meu amor. Quem sabe meu amor não seja eu?
Estou embriagada de amor, pela primeira vez não acho tão ruim. Minha licença poética e minha falta de amor próprio me fazem ter amor por tudo e odiar todo mundo que não tem um pingo de amor.
Jogo fora papéis e os procuro na gaveta, deixo café esfriar e prefiro assim.
Deixo a música tocar enquanto me distraio, mas volto para ter o prazer de cantar.
Me afogo em amor, canto essas canções e recito umas poesias.
Realmente, tá sobrando amor e umas doses de conhaque.
Quem sabe meu amor não seja eu? Quem sabe o conhaque não ajude em nada?
Mas continuo a beber, e me recuso á parar de amar.
Por enquanto, quem sabe meu amor não seja eu?


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