Fragmentos
Enquanto eu lia me perguntei do que sou feita, até meu nome me sumiu da cabeça, eu me vi sozinha e vi tudo á minha volta, vi tudo dentro de mim. Sou feita de carne, não aquela carne pecadora, não aquela carne santa, apenas carne, coisa fácil de cortar.Sou feita de fé, pouca fé, devo dizer, não de fé em Deus, não gosto muito dele, não de fé em milagres, de fé em mim. Sou feita dos livros que já li e dos poemas, sou feita de vestidos floridos e vaporosos, sou feita de margaridas e prendedores de cabelo. Sou constituída de litros de café.
Sou a vontade de viajar, o amor esquecido, sou tudo e ao mesmo tempo nada. Sou a cética que crê em tudo. Sou meu círculo das fadas, meus vídeo games e meus dragões. Sou a princesa e a guerreira, sou o inferno vestido de paraíso.
Enquanto olhava pra dentro de mim e deixava a luz entrar pela janela, enxerguei o que me constituía e talvez a resposta para todas ás vezes que perguntaram quem eu sou. Sou o cravo e a rosa. Sou o shorts e o chapéu de palha, sou as folhas A4 e os rabiscos da última folha do caderno. Sou a namorada de mim mesma, e me traio com o mundo. Sou o meu próprio mundo, sou de todo o mundo, todo o mundo sou eu.
Me criei de carência e aparência, eis-me então aqui, diante de mim mesma. Diante do que sou e sem saber o que sou? Quanta ironia.
Sou a nota baixa, sou o caderno incompleto, sou a matéria de história, filosofia ambulante. Sou quem toca Raul, sou o Eduardo e a Mônica, João de Santo Cristo, Jeremias, Pablo e Maria Lúcia.
Sou o mar e a hidrofóbica, sou MPB, Indie e alternativo, sou o hipster e o normal. O Nerd e o valentão.
Sou os desenhos no ar, sou o cheiro de comida boa. Sou o perfume de flores do campo. Sou as camisas de banda e o chocolate meio amargo, sou o amante, a namorada, a mulher, a menina.
Sou a mesma garotinha, sou a responsabilidade de viver com irresponsabilidade.
Sou feita de amigos, de piadas sem graça, de brincadeiras inventadas e fotos coloridas. Sou feita de filmes antigos e discos de vinil.
Sou feita de tudo, composta por nada. Sei tudo que sou, e ainda me embalo em canções de ninar, flautas, o som de um Baixo, os acordes do silêncio.
E ainda assim, se me perguntar quem sou irei responder: Cara, eu não sei.
Sou essa bagunça organizada, sou eu.
Sou nada e tudo.
Não sei de nada, estudo sobre tudo.
Sou a eterna formação, a crença e a descrença.
Sou a paz e a guerra.
O início e o fim. Sou eu mesma, mas juro, eu nunca saberei quem eu sou.
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