Da inspiração
Falta-me inspiração, falta-me razão, falta-me coragem para transpor em papel o que sinto em mim.
Há muito tempo tenho poemas prontos, frases feitas, pensamentos notórios para escrever, mas falta-me a luz do sol, as flores e os bons romances que regavam minha inspiração, falta-me algo.
Falto-me para comigo.
Falta cafeína, falta a companhia, falta a vontade de me mostrar um pouco mais.
Sobre a inspiração, falta inspiração para escrever sobre ela, falta um pouco de mim para sobrar poema, falta poema para sobrar um pouco de mim.
Sempre gostei de me escrever, sempre me reinventei para criar; sempre adorei me trancar por horas e sentir o chão gelado até que um comichão atacasse meu ser e me forçasse a escrever, chamo este comichão de inspiração. E hoje, quando a falta de insíração bateu em mim senti que usaria a falta dela para escrever sobre ela.
Me inspirei na falta de inspiração, me convenci de que não me falta a luz do sol, falta-me a janela aberta; não me faltam flores,falta-me plantar; não me faltam bons romances, faltam-me sebos; nunca me faltou inspiração, faltavam-me asas.
Hoje, fiz-me o favor de lembrar como é bom deitar no chão gelado e tomar café na hora do almoço, fiz-me o favor de abrir uma gaveta e achar inspiração, e me achar.
Agora, prometo, nunca mais faltarei comigo mesma, nunca mais vou faltar em minhas próprias reuniões.
Me inspirei na falta de inspiração, me convenci de que não falta cafeína, falta-me fazer café; não falta companhia, falta-me a saideira; nunca faltou a vontade de me mostrar um pouco mais, faltou-me o vestido certo.
Hoje, fiz-me o favor de não faltar, de estar e de enlouquecer, pois como já devo ter dito antes, nem toda loucura vem da poesia, mas toda poesia vem da loucura.
A inspiração é louca, a inspiração sou eu, e eu nunca mais faltarei para comigo mesma, prometo.
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