Se permita me permitir

E quando me disse que tudo ficaria bem, mentiu, ou apenas me protegia da verdade que agora me corrompe? Essas perguntas que eu mesma sei respostas mas prefiro me calar, esses amores que eu cultivei mas prefiro odiar, essas loucuras tão sãs que todos os sábios cometem. Tudo meu, e eu lhe dei, nada muito bom, mas nada tão ruim, dá pra ser, ou não dá? Me diz, por favor, só isso.
Acho que não ia doer tanto se me contasse o que te deixa assim, cara, eu me importo, acredite. De toda forma minha frieza não é tão fria na tua companhia, meus ódios são amorosos e minhas lágrimas são mais bonitas. Não quero incomodar, desculpe; mas me deixe entrar na tua casa, sentar em um canto e te ver beber o teu whisky e afogar suas dores em um canto qualquer, me deixa ficar aí, prometo não fazer barulho, fico quieta, só ouço tua respiração ofegante e olho a escurida e gélida solidão do teu ser. Deixa eu me sentar na beira da tua cama e te ver dormir e ter pesadelos, quem sabe você não acorda no meio da noite assustado e eu não posso te acalmar. Permita-me participar do melancólico teatro da sua vida, ver você trabalhar, se estressar e explodir, quero estar perto quando você se quebrar e juntar os seus caquinhos. Quando você se encher da vida eu te puxo pelas mãos e te levo pra fugir, sem rumo, andar pra lugar nenhum,  conquistar lugar nenhum e fazer de lugar nenhum um lugar meu e seu.
Posso lhe fazer companhia, te contar histórias, recitar poemas e oferecer um bom vinho, depois posso dormir no teu peito e sentir você respirar lentamente e sussurrar que não vivo sem você. Me deixa mentir e dizer que vou embora e esquecer. Não precisamos ser um casal, nem amigos, só nós.
Não vamos ser normais, vou te xingar de palavrão e vamos brincar de lutinha, vamos jogar vídeo game e você vai rir quando eu estiver com raiva e me provocar mais, você é mestre nisso. Vamos argumentar sobre meus gostos duvidosos e seu sorriso de psicopata, vamos ficar juntos na solidão e sozinhos na multidão, vamos ser como já somos. É até engraçado, tenho você, mas falta algo. Falta que permita-se viver, falta que eu lhe chame de meu e te abrace com sorriso e te embale com abraços, te excite com beijos, te traga pra perto, mas te enxergue de longe, não custa, eu nem dou trabalho, então.. Deixa?

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