"Ai, pelo amor de qualquer coisa, me perdoa" - Eu repetia aquilo á mim mesmo enquanto batia minha cabeça na cama e me enganava com tudo aquilo. Eu pedia perdão, mas ainda não havia me perdoado. Você entende o que quero dizer? Você consegue me ouvir, sabia que quando eu digo que estou bem é mentira? Quando digo estar mal eu não minto, mas a dor é bem maior que minhas próprias dimensões e espero que entenda. Não dá pra ser o que você quer, releva, a dor me atrapalha com tudo isso e eu sou péssima nesse "tudo". Espero que entenda o quanto isso dói em mim. É pouca coisa, meus problemas são insignificantes, mas eu sou bem menor, me compreenda, dói.
Aquelas palavras me cortam o peito, é como se eu fosse morrer, ouço a voz dela me dizendo "Cuida de todos e antes de tudo, seja feliz, não esqueça nunca, que não importa como, você tentou, seja feliz. Promete filha? Promete? É tudo que te peço, eu preciso ir, mas antes quero que prometa". Ah, isso me corrompe, tô guardando pra mim, minha promessa, meus planos e hoje em dia, meu fracasso. "Prometo." Aonde eu estava com a cabeça? Eu não cumpri.
Eu deveria ter ido embora, ter ficado por aí, não deveria ter saído pra tentar e voltar sem troféu, indigna, convivendo com fracasso. Aquele túmulo antigo e resto da cestinha de flores que deixei lá anos atrás, me lembro como se fosse ontem, o caixão desceu, jogaram terra e eu apertava a correntinha que ganhei dela, eu serrava meus dentes e repetia a mim mesma "Prometo."
Em casa busquei um caderno e lembro que neste dia comecei a escrever, lembro que tracei com minha letra de criança a vida que eu queria viver, o dinheiro que ia ganhar e como iria cuidar de todos, eu molhei o papel com lágrimas, enxuguei com o vestido azul que ela amava, eu escrevi ser feliz na lista de tarefas, eu me forçava a dizer "Eu prometo", guardei em uma caixa e cresci.
Cresci e anos depois, chorando mais uma vez abri a caixa e senti o mesmo aperto no peito, peguei o papel e ouvi a doce voz dela, me fazendo prometer, minha voz, grave e urgente me lembrava da promessa e me dizia "Fracassamos".
Escrevo pra dizer que eu quero, eu quero tentar, mas eu caí de uma altura, desta vez acho que quebrei tudo, não sei se posso levantar, fracasso, meu maior medo, desde sempre, hoje me acompanha, e eu sorrindo á todos como se não soubesse das tristezas que me fazem crer que acabou. "Fracassei, me perdoa, eu quero viver, eu quero ser feliz, mas ás vezes parece que não dá. ME PERDOA. Eu vou tentar. E isso é outra promessa. Prometo"
Agora me entende? Meus sonhos não são coloridos, mas ainda são sonhos, entende a dor? São a perdas, as idas, os abandonos, e eu sentada na lápide aonde enterrei meus sonhos, choro e tento escavar o que ainda resta do meu direito de ser feliz.
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