Noites em claro, sonhos jogados pela casa


Mais uma das minhas noites em claro, mais um dos dias perdidos sendo lamentado nas vésperas do dia fracassado que ainda esta por vir. Eu realmente poderia escrever minha vida e fazer pessoas entrarem em desespero e se perguntarem por que reclamam tanto sabendo que existem pessoas que sofrem mais que elas. Egoísmo. Minha barreira desumana, meu refúgio e minha auto destruição, os dias de hoje não estão fáceis pra ninguém.
Eu poderia reclamar, escrever um livro, compor completas discografias para gritar ao mundo que a vida, realmente, a vida é uma droga. Mas não, fico com meus textos sem valor, gritando sem fazer barulho no meu próprio mundo e repetindo “Oh, como eu tenho saudades, como eu sinto falta das coisas que eu nunca vivi”. Meus amores desiludidos, cheio de realidades e transbordando de sonhos irrealizáveis. Perda de tempo, falta de amor, falta de companhia, seja o que for. Não sou de me entregar facilmente, eu fico bem fechada, eu juro. É que depois de um tempo mal vivido a vida abarrotada de sentimentos congelados derrete e te vaza aos olhos, te rende uns textos e canções pra se recordar, daí você diz que chega, jura que cansou, mas não para, afinal a dor lhe rendeu textos e isso em partes é legal. Sabe como ganhar dinheiro? Escreva sobre dores, de todos os tipos, a sociedade se interessa pelo sofrimento alheio, creio que faz parte de nossa inútil existência.
Decadência, eu deveria me exercitar, aproveitar a liberdade, não deveria beber ou fumar, deveria crescer e me entregar aos livros, me tornar professora de história, me casar com um cara barbudo que toca violão, ter camisetas dos The Beatles e um  bull dog francês, um sofá de canto, uma mesinha de centro e uma estante cheia de Machado de Assis e livros que comprei em bancas de jornal. Seria tão mais fácil a vida que sonharam pra mim, seria melhor, mas o destino me deu a virtude mais dolorosa que pode ser encarregada á um ser, eu nasci de sonhos, vivo sonhos e jurei a maioria realizar, ás vezes fujo do mundo que criei, tenho mania de ir só pra voltar, me sentir e me fazer sozinha, pra depois poder dizer “Cara, como me faz falta”. Mania absurda de ir pra voltar, coisa chata, mas sou eu, o que poderia fazer? É minha vida, meus sonhos.
Agora sobre a mesa é o meu whisky, na gaveta meus cigarros, meu cinzeiro de prata, meus livros chatos, meus amores perdidos, minhas causas impossíveis. Eu era feliz, mas larguei tudo, me assustei com o arco íris e nem cheguei a ver o pote de ouro ao fim, me escondi. Tive medo, confesso, creio também que faz parte, certo? Gostaria de saber se meus dramas tem sido efetivos, se meus choros conseguem regar uma nova vida. Ainda não desisti, só pausei a fita e vou rever do começo, rir dos tombos, chorar das tristezas, me orgulhar das vitórias. Depois me levanto, tomo um banho frio, curo minha ressaca moral, solto meu cabelo, uso um vestido e vou me inscrever na dança de salão e no francês, vou tomar açaí e criar poemas num banco de praça. Vou comprar passagens e sair pelo mundo, praticar novas línguas e me aventurar por novos amores ou quem sabe eu leve o antigo comigo. E lá vou, sonhando mais. Porém enquanto não levanto daqui bebo mais whisky até apagar, e os sonhos, meus queridos sonhos, quem sabe não converso com vocês amanhã.

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