A arte de ser feliz
Resolvi dar um tempo para minhas molecagens, iria me trancar
no quarto e ler, pensar. Ser feliz. Descobri que felicidade é questão de ser.
Encantei-me quando desfrutei do conhecimento da alegria. Não é preciso nada tão
grande, têm dias que só uma música te faz feliz, um livro novo, um café amargo,
um sorriso atoa, um abraço sem aviso – Aliás, não tem nada tão confortante
quanto um abraço sem avisar, desses que você até se assusta e custa para acatar
– Tão gostoso o cheiro de pão de queijo e um dia no parque. Tão feliz.
Então resolvi que seria feliz, só hoje, talvez amanhã.
Estava pensando em algumas vezes que fui feliz sem esforços, com exemplos o
texto seria simplesmente sentir, as pessoas poderiam inclusive se convencer que
é real, e é. Acredite. Acreditar é algo
importante, Já dizia a voz interna dentro de mim, a mesma que me diz pra
ser feliz. Voz tão linda que parece com a minha, mas me aconchega. Uma vez
alguém me disse que todos tem um lado fantasticamente lindo e bondoso, talvez a
voz seja o meu. Meu lado bondoso ás vezes escapa, é ligeiro. Meu lado bondoso
que me diz para usar cachos no cabelo, fitas e laços, sapatilhas e até me induz
a escrever histórias de amor. Lado que insiste em amar. Lado sofredor, fácil de
derrubar. Quando sai me sinto até uma santinha, aquela que tem o coração do
lado exterior do peito. Deve doer tanto ter o coração por fora do peito,
vulnerável, imagino eu.
Hoje acordei dos sonhos e olhei mais uma vez para meu “céu”
de amianto, fiquei um tempo ali. Finalmente me levantei, sentei ao computador,
fiquei por ali. Depois de um tempo resolvi sair e sendo feliz tomei um banho,
coloquei meu pijama novamente. Blusa apertada, calça larga – Me sinto tão bem
assim – No meu quarto, deitei-me e fiquei a sonhar acordada, eu faço isso,
sempre, até sonhar de verdade. Refleti o misto de coisas que aconteciam dentro
de mim. Pensei na minha mais recente amizade, pensei em como minha cama estava
gostosa, pensei que gostaria de companhia e que a minha companhia tinha nome,
faz um tempo que tudo que sinto tem nome, não sei se deveria me incomodar com
isso, mas quando é apenas fantasia eu deixo ser. A história da garota que estou
lendo agora, como eu queria que ela fosse feliz, fantasiei vários finais.
Dormi.
Sinto-me tão bem quando durmo, acho que é uma das melhores
coisas da vida. Dormir. Dormi por uma hora, se não me engano. Após acordar nem
me levantei, permaneci ainda imersa na cama e em sonhos por entre o cobertor, o
cobertor é muito pesado, mas pesado a ponto de me afundar mais, eu gosto, sem motivos,
gosto.
Eu abri meu livro, ando lendo tanto a história é
maravilhosa, me sinto na primeira fila, me sinto parte, ás vezes, a própria
personagem. Fiquei um tempo lá. Boa parte do tempo enquanto faço as coisas
narro, como se fosse um livro, penso em escrever quase tudo, mas nada sai da
minha mente. Hoje saiu.
Queria mesmo ser feliz e ando sendo, serena. Algumas vezes
eu choro e desabo, mas creio ser normal. Fui até a cozinha e prometi pra mim
mesma comer algo que me faria momentaneamente feliz. Pão com ovo. Coisa boba
que sempre me alegra e que á muito não como, não do jeito certo. Deve estar se
perguntando “Qual o jeito certo de comer pão com ovo?” e eu lhe digo. Faço com
a frigideira pequena, bem pequena. Gosto de coisas pequenas, elas fazem com que
me sinta menor e mais frágil. Gosto muito da sensação de meiguice, me sinto
amada. Bobagem minha. Sei. Manteiga, óleo não é saudável e não dá gosto bom.
Frito o ovo, mas não queimo, sem bolhas. Pronto. Coloco no prato, sem estourar
a gema, Abro o pão, molho o miolo na gema e por fim coloco a clara dentro do
pão e como. Coisa simples. Coisa feliz.
Café amargo. Feliz, finalmente feliz, coloco minhas
sapatilhas de Ballet e fico ali, sentada na cama, comendo e balançando os pés
como se tivesse quatro anos na cadeira do dentista. Depois, vou escrever,
contar meu segredo de felicidade e sem mais feliz. Vejo-me terminando o texto,
depois de um dia cansativo, contando ao mundo como ser feliz com pão com ovo.
Contando e mudando muita coisa dentro de mim. Cantando bossa nova e aprendendo
a ser feliz.
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