O meu tempo e a minha (amável) vida.

Como começar um texto quando se sente na obrigação de escrevê-lo? Eu nunca gostei de obrigações, não quero que me obriguem a ser, ter ou fazer algo, não obrigo ninguém a ser meu também, afinal, não quero que me obriguem a pertencer a alguém; eu gosto de pertencer, não gosto de ter dono, mas adoro me entregar. Adoro entregar cartas, flores, chás e café na cama naqueles dias especiais. Gosto de receber, beijos, abraços e declarações de amor eterno, mesmo que passageiro. Nestes dezesseis anos, não vivi nem a metade, porém vi bem de pertinho inúmeras faces da minha mais sincera amiga e cruel inimiga, a vida. Esta vida tem me ensinado aos poucos as coisas necessárias para vê-la com amor, tem me tornado menos indiferente, e ensinado a apreciá-la. A vida é como aqueles filmes antigos, artes abstratas e provérbios, a gente não nasce entendendo, aprendemos com o tempo, e quando entende, logo pensa ''Meu Deus, como eu não havia pensado nisso?'', é que o tempo, este amante da vida, nos faz esperar e acreditar que esta espera valerá, e tem valido esperar dezesseis anos para aprender, e aprender cada vez mais, por mais dezesseis e dezesseis anos, pois, eu sei, que ainda não estou nem na metade da vida, e com o tempo eu vou aprender e entender mais do que ela tem pra me ensinar.
O tempo, meus caros, é o amante da vida, eles existem desde que existem, eles começam e terminam tudo; e o tempo, quando jovem, impaciente e apaixonado, observava a vida e depois de muito observar aprendeu que o sentido real dela é viver e não entender, o real sentido da vida é amar. Nosso jovem tempo amou cada vez mais a vida, e teve que compartilhá-la com o universo, no começo doeu, é claro, é como ser o amante de uma linda atriz de Hollywood, é como querer um amor só pra si e ter que vê-lo brilhar para o mundo, mas ele descobriu que a vida não brilha de inicio para todos, a vida só brilha e faz sentido com o tempo, assim como o Sol só brilha depois da Lua, e o tempo só existe se é vivido, assim como um poeta só é poeta depois de amar. Por isso o tempo, hoje, é tempo vivido e a vida é a vivida a muito tempo, porém, tanto um quanto o outro deve ser amado, afinal o amor deu inicio a vida, e a gente só ama com o tempo. E no meu tempo, nos meus dezesseis anos de vida e tempo, tenho aprendido a amar, amar o tempo e a vida e todas as coisas que ela me dá.

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