Ensaio sobre finais felizes

Li algumas vezes que finais felizes são necessários para que uma história seja uma boa história, mais tarde vi em um filme que a gente precisa de alguém pra ser feliz, todo dia vejo finais que são justamente contrários à felicidade. Fiquei confusa. Vivo confusa. 
Hoje quando acordei olhei prum vazio enorme e senti o cheiro de dia novo, dia quente, dia que acabara de sair do forno com todas as dádivas e crueldades de um mundo que não é meu. Fechei os olhos e dormi o sono, acordei os sonhos e as minhas canções. Logo cedo eu já sentia falta do meu ''final feliz'', o dia todo eu estive pensando na outra metade que eu li ser necessária. 
Quando cheguei em casa e joguei a mochila num canto, eu olhei pro mesmo vazio de outrora e vi que não era mais vazio e que era cheio de mim, e olhando pra dentro de mim, percebi que eu já não era vazia e que havia me preenchido com finais felizes, quando me sentei pra escrever não cheguei a conclusões, não dormi meus sonhos, não queria um tema, uma razão ou um ''Enfim, estou completa'', eu só queria um texto pra mostrar o quanto eu tenho aprendido que finais felizes não são tão bons quanto ver que o vazio agora era cheio apenas de felicidade. Que graça tem os finais? 
Sempre quero o ''muito'' e o ''mais'', quero mais daqueles beijos e mais daquele cheiro na minha roupa, quero bem mais daqueles carinhos, quero sempre, quero agora e quero guardar pra depois do final feliz, e que seja sempre assim, que seja cheio de finais felizes, que toda vez que chegue ao final do dia eu durma sorrindo por saber que no dia seguinte terei mais. Boas histórias merecem continuação. 
E que a minha história me renda mais histórias sobre os meus vazios que se enchem de felicidade, que os finais passem longe, pois não quero que seja como as histórias que li, quero que seja interminável. Aprendi que finais felizes não são necessários quando se pode ser feliz constantemente. E ainda aprendi que ás vezes a gente se assusta e fica triste, que nem tudo é felicidade, mas que nem tudo tem que ser final, finais são começos de novos ''felizes''.
E eu, continuo dentro do meu vácuo, meu esconderijo que faz conexão tempo-espaço, continuo escrevendo minhas histórias e lendo sobre finais felizes. 
Vou ainda querer mais beijos daquele garoto insuportável que vive me tirando do sério e me fazendo perder a razão, o dono dos meus beijos e dos meus abraços mais cheios de amor, e vou escrever sempre que der sobre ele, e pra ele. Estou criando uma história, é uma princesinha e ela conhece um rapaz, e esse rapaz prova que nem sempre tem que ser ''final'' pra ser ''feliz'', e ele faz da princesinha a mais feliz do mundo, e a princesinha deseja que nunca tenha final. 


Comentários

  1. Talvez o interessante para uma visão de mundo realista e nem por isso sinônimo de infelicidade seja refletir sobre os finais. Já dizia Freud que exatamente por uma coisa ser transitória, passageira que faz daquilo algo valioso, seja esse algo um momento ou uma pessoa , e que fiarmos a uma ideia ilusória de eternidade como uma pista de que viemos de um "paraíso" é o principal causador de angústia de nossas mentes ao confrontar a realidade. Parafraseando Vinícius de Morais, talvez nos falte a sutileza de ver a chama não pelo tempo que ela queima, mas sim sua intensidade.

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    1. Bingo, você usou minhas inspirações para fazer este espetacular comentário e me deixou sem palavras, mas estupidamente feliz.

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