A primeira (enrolada) aventura de amor

De repente todas as coisas foram se fechando em cima de mim, o mundo foi ficando embaçado e eu sabia que precisava de socorro, o teu nome era o único que saltava de dentro daquela bagunça.
Se eu chorar de desespero não se desespere, meu bem, eu sempre fui desesperada, achei que já teria notado que eu sempre quero pra ontem, eu corro com o sinal livre pra mim, eu grito sempre precisando por mais e mais, eu sempre quero, quero agora, quero já.  Quando as luzes se apagaram eu só queria continuar, queria continuar com aquelas doses de Conhaque, queria continuar sob a luz do cigarro, porquê eu chorei desesperada, e eu nem tinha motivos para tal desespero, porém sempre fui afobada. Sempre fui livre também, desconheço criatura mais livre que eu, as dependências dependem de mim, acredito que minha felicidade também, no entanto, você sabe, ás vezes eu me desespero, tenho medo de ser presa, medo de não ser livre do jeito que quero, quero ser livre presa à você e me mover nos espaços apertados, dançar nos velórios e ficar triste em casamentos, meu habitat natural é o quintal do mundo, mas eu prefiro habitar nos buracos da minha toca e fingir que ninguém me chama do lado de fora, a aventura começa quando a gente acorda e sai pelo portão para o mundo á fora. Minha aventura se baseava em fatos reais, era todo dia uma aventura nova e sempre a mesma lição ''não gostar de ninguém, não se prender á ninguém, não se arrepender, seja feita a minha vontade'' e de toda e qualquer forma, eu fingia muito bem ser feliz assim.
Um não tão belo dia assim eu olhei ao redor de mim, e como por pura idiotice joguei meus mandamentos no chão e fui atrás de um garoto que era, digamos assim, a pessoas quase perfeita, o contrário de mim. Ele sempre me irritava, não gosta do que eu gosto, não pensa no que eu penso, não ri do que eu rio, não age como eu costumo agir, mas sempre ri de mim e diz que eu sou folgada de mais, talvez por quê eu realmente queira ele só pra mim. Com o passar o tempo, não passou tanto tempo assim, eu gostei tanto dele que esqueci de mim, fiquei enorme e engoli meu coração. Eu agora vivo me enrolando nos cabelos dele e pensando no motivo d'eu não conseguir nunca ir embora, o motivo para quebrar minhas regras, e todas as noites eu paro com a cabeça no travesseiro e o pensamento no sorriso daquele garoto irritante tentando achar motivos para não quebrar minhas regras, e eu descobri no meio disso tudo que a única regra que eu deveria estabelecer é a de dormir mais cedo, afinal de contas, quanto mais cedo eu dormir mais tempo eu irei sonhar com ele, e assim eu vou me aventurando, não mais sozinha, eu vou junto com o garoto irritante que me acha folgada, o garoto do sorriso fofo e os cabelos bagunçados, eu vou sempre com ele, correndo e ele me segurando, gritando e ele rindo de mim e dos meus desesperos, ele ainda não me conhece direito, eu espero que ele ao menos saiba que eu penso nele todos os dias, e que quebro as regras do mundo pra viver sob as regras, ou sem regras, o importante é viver pra sempre dentro dos abraços de urso dele. E vamos indo assim, ele com meu cheiro, eu com cheiro de whisky, ele ouvindo Ramones e eu deixando de ouvir a razão pra continuar me enrolando na vida dele.

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