Felicidade torta
Claro, já toquei neste assunto antes, vários e vários textos e contextos antes, devo ter dito algo sobre as frases que rondam meus pensamentos e que não conseguem se formar no papel. Citei ainda minha enorme obrigação em escrever, e o quanto isso me impede de fazê-lo. Tento fazer deste prazer um pouco menos esta obrigação, tento me obrigar a fazer por prazer e isso torna-se outra obrigação.
No entanto, sinto-me amiga - amiga íntima! - de tudo que abraça o que escrevo, amiga de cada autor e leitor que me acompanha, desde Quintana até Antoine de Saint-Exupéry.
Uns dias atrás estava lendo sobre a felicidade e a obrigação que nos é imposta quanto a ela. Percebi que se sentirmo-nos obrigamos a sermos felizes seremos infelizes.
A busca pela felicidade é infeliz, qual busca não é, afinal?
As coisas vem até mim, até cada ser; as coisas caminham, ou melhor: as coisas voam até nós. E decidiremos se vamos abraçá-las. O amor, a felicidade e cumplicidade que nos vendem nos outdoors e propagandas de sabonete e creme dental não existe, nenhuma obrigação é feliz, nem a de ser feliz.
Por isso, depois do primeiro escrito que se dá bem no mundo os demais nascem tristes na obrigação de serem e tornarem o mundo mais feliz. E essa foi a maneira que encontrei para explicar a insatisfação de ser infeliz: a felicidade. Passei a me sentir cada vez mais obrigada a escrever, não que me cobrem ou que sintam falta, escrevo mais para mim, e aos poucos que sempre dizem que gostam e leem: Muito obrigada, vocês são meus melhores amigos. Tudo que tenho escrito desde o começo são cartas de confissão dos meus rumos perdidos e encontrados e registro de tudo que sei que não sou e da construção - um tanto quanto desajeitada - do que sou e venho me tornando. Por isso escrevo, para sentir que tenho amigos -quando digo amigos quero dizer leitores - que sentem o que sinto e me conhecem bem, tão bem quanto eu.
Então, me obrigava a escrever e contar para alguém lá fora minhas aventuras e desventuras, das quais aprendi a me orgulhar. E na obrigação de partilhar me senti pequena e não compartilhável, a obrigação do poema tornou-me poetisa vazia, como preencher linhas com vazio? Um poeta tem que saber encher-se para esvaziar-se em poesia.
A felicidade não se aproximou por que cheguei a estas conclusões, mas o que venho aprendendo é que posso ser feliz e infeliz, uma espécie de ''felicidade torta'' como já diria Leila Ferreira - uma autora que me ajudou muito a chegar a estas conclusões -, é que a felicidade não requer que andemos por aí sem tropeçar ou que provemos macarrão sem nos sujar de molho, ser feliz não quer dizer não ficar de TPM ou não chorar, não tem nada a ver com o sorriso brilhante - e falso!!! - das propagandas que citei lá em cima, ser feliz requer estéria, choro e até uma pitada de infelicidade, mas nada de receitas, o gosto da felicidade é inventado e só se sabe de fato o gosto depois que se vive tudo e olha para trás; sinto decepcioná-los, mas nunca se pode viver tudo, logo nunca seremos completamente felizes, afinal de contas a felicidade não é completa, felicidade é aquele prato maravilhoso que não se come todos os dias e que se lembra pro resto da vida, daqueles que se sente o gosto só de pensar. felicidade é a flor que vinga no asfalto, é menino descalço, felicidade é o nada e o tudo incompleto, é o muito e o pouco, o inalcançável dom de viver, pois a vida vivida como se deve ser e o caminho que se anda com um passo por vez é felicidade, sem obrigação, felicidade é o que só João Nogueira - quem sabe?- conseguiria de fato definir.
No entanto, sinto-me amiga - amiga íntima! - de tudo que abraça o que escrevo, amiga de cada autor e leitor que me acompanha, desde Quintana até Antoine de Saint-Exupéry.
Uns dias atrás estava lendo sobre a felicidade e a obrigação que nos é imposta quanto a ela. Percebi que se sentirmo-nos obrigamos a sermos felizes seremos infelizes.
A busca pela felicidade é infeliz, qual busca não é, afinal?
As coisas vem até mim, até cada ser; as coisas caminham, ou melhor: as coisas voam até nós. E decidiremos se vamos abraçá-las. O amor, a felicidade e cumplicidade que nos vendem nos outdoors e propagandas de sabonete e creme dental não existe, nenhuma obrigação é feliz, nem a de ser feliz.
Por isso, depois do primeiro escrito que se dá bem no mundo os demais nascem tristes na obrigação de serem e tornarem o mundo mais feliz. E essa foi a maneira que encontrei para explicar a insatisfação de ser infeliz: a felicidade. Passei a me sentir cada vez mais obrigada a escrever, não que me cobrem ou que sintam falta, escrevo mais para mim, e aos poucos que sempre dizem que gostam e leem: Muito obrigada, vocês são meus melhores amigos. Tudo que tenho escrito desde o começo são cartas de confissão dos meus rumos perdidos e encontrados e registro de tudo que sei que não sou e da construção - um tanto quanto desajeitada - do que sou e venho me tornando. Por isso escrevo, para sentir que tenho amigos -quando digo amigos quero dizer leitores - que sentem o que sinto e me conhecem bem, tão bem quanto eu.
Então, me obrigava a escrever e contar para alguém lá fora minhas aventuras e desventuras, das quais aprendi a me orgulhar. E na obrigação de partilhar me senti pequena e não compartilhável, a obrigação do poema tornou-me poetisa vazia, como preencher linhas com vazio? Um poeta tem que saber encher-se para esvaziar-se em poesia.
A felicidade não se aproximou por que cheguei a estas conclusões, mas o que venho aprendendo é que posso ser feliz e infeliz, uma espécie de ''felicidade torta'' como já diria Leila Ferreira - uma autora que me ajudou muito a chegar a estas conclusões -, é que a felicidade não requer que andemos por aí sem tropeçar ou que provemos macarrão sem nos sujar de molho, ser feliz não quer dizer não ficar de TPM ou não chorar, não tem nada a ver com o sorriso brilhante - e falso!!! - das propagandas que citei lá em cima, ser feliz requer estéria, choro e até uma pitada de infelicidade, mas nada de receitas, o gosto da felicidade é inventado e só se sabe de fato o gosto depois que se vive tudo e olha para trás; sinto decepcioná-los, mas nunca se pode viver tudo, logo nunca seremos completamente felizes, afinal de contas a felicidade não é completa, felicidade é aquele prato maravilhoso que não se come todos os dias e que se lembra pro resto da vida, daqueles que se sente o gosto só de pensar. felicidade é a flor que vinga no asfalto, é menino descalço, felicidade é o nada e o tudo incompleto, é o muito e o pouco, o inalcançável dom de viver, pois a vida vivida como se deve ser e o caminho que se anda com um passo por vez é felicidade, sem obrigação, felicidade é o que só João Nogueira - quem sabe?- conseguiria de fato definir.
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