Ensaio sobre a solidão

Enquanto ouvia os primeiros gritos, algo dentro de mim gritava por solidão, eu precisava da solidez.
Me escondi e os gritos derreteram e molharam meu rosto. Eu me sentia só.
Me sinto só, isso causa meu sofrimento e só. 
Não costumo escrever sobre coisas tristes, mas estou triste, e escrevo sobre mim. 
A solidão, amigos, me acompanha, e me consola. Ela me persegue e me apavora. 
Quando as luzes se apagaram e a cidade se calou, o barulho que eu ouvia nascia e permanecia em mim, eram meus gritos por socorro que me seguiam mais uma vez. E uma voz, bem parecida com a minha, sussurrava ''querida, estamos sozinhas, somos eu e você.'' 
De quem seria a voz? É claro, solidão. 
Busco por solidificação. Só me encontro em meio solidão. 
Por muito tempo busquei preencher meu vazio, quando descobri que o vazio não está em mim. 
Vejo pessoas vazias, bebidas vazias, palavras vazias. 
Promessas falsas. 
E eu, só. 
É de se esperar que uma garota com mais livros que amigos se sinta só, mas eu costumava achar nos livro consolo, agora, vejo que meus personagens não são sós como eu. São o que eu almejei desde sempre. Criei um universo mágico aonde nada seria tão cruel, e agora, meu muro de Berlim chega ao chão, e eu? Estou sem chão. 
Não sou completamente só, tenho uns amigos, um amor, umas xícaras de café e umas piadas que conto quando tenho vinho em mãos. 
Porém, sinto-me só, e nada vai tirar isso de mim, estou assim.
Sou assim, só. 
E faço uso a solidão, como mais fiel amiga, para criar. 
E crio histórias aonde sou feliz, e se eu escrevo que meu destino é ser feliz: feliz eu sou. 

Comentários

  1. Bruna, adorei completamente teus textos, serio completamente apaixonante :3 Depois da uma olhada la no meu, n se assuste por favor :)

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